Artistas baianos selecionados pelo projeto terão músicas autorais gravadas em Realidade Virtual em Salvador

Três artistas residentes e atuantes na Bahia foram selecionados para protagonizar uma iniciativa inovadora que conecta a música autoral à tecnologia de Realidade Virtual (VR). Por meio do projeto inédito “Oroboro – Circuito Imersivo”, suas canções serão transformadas em videoclipes imersivos, promovendo uma experiência audiovisual que está alinhada às grandes tendências do mercado cultural, mas que ainda é inacessível para muitos artistas independentes.

Os vencedores da primeira edição são Alexandra Pessoa (Salvador), Omin (Salvador) e Osvaldo Bola (Alagoinhas), com as respectivas canções “Morada”, “Bandeja de Prata” e “Buracão”. A proposta do projeto é levar a música baiana para novos cenários tecnológicos, permitindo que essas obras sejam experimentadas em plataformas de streaming com suporte a vídeos em 360 graus e também através de óculos de realidade virtual.

Protagonismo artístico e diversidade
A seleção dos artistas foi realizada por uma comissão especializada, composta por profissionais reconhecidos no campo das artes: Manuela Rodrigues, Marina Martinelli, Moisés Victório, Marcos Santos e Ana Paula Vasconcelos. O processo seletivo priorizou a diversidade de trajetórias musicais e identidades, garantindo uma programação rica e representativa.

Para o curador Marcos Santos, a escolha reflete a cena musical baiana em suas diferentes expressões. “Participar da curadoria do Oroboro foi extremamente importante para me atualizar sobre as composições autorais de gêneros contemporâneos e, por outro lado, também observar formas de compor ainda relacionadas à maneira antiga, dos anos 90 e 2000. Tentamos abranger a diversidade em sua plenitude, seja de identidade de gênero, identidade racial e de gênero musical. Esses foram os principais critérios que nos levaram à escolha destes nomes”, declara.

A curadora Manuela Rodrigues reforça a riqueza do material recebido e a importância de um olhar cuidadoso no processo de escolha. “Foi um processo cuidadoso e sensível por parte de todos os curadores. Recebemos um material diverso e muito rico, e por conta disso, foi necessário muita escuta e compartilhamento de visões. Ao final, acredito que chegamos a um resultado que mostra um pouco o panorama das inscrições”, conclui.

Sobre o processo de curadoria, a diretora artística e curadora Marina Martinelli afirma que os critérios não foram engajamento ou quantidade de seguidores dos artistas, mas sim a qualidade e potencial de seus trabalhos. “Pouco nos importou o potencial de gerar cliques. A coisa mais importante para nós foi conseguir aglutinar artistas de várias linguagens para colaborar num trabalho que tem por força motriz o tesão de criar, e não da expectativa cínica de um mercado que trata nossas subjetividades como itens descartáveis”, avalia.

Conheça os artistas selecionados
Alexandra Pessoa: Desde 2008 na carreira autoral, Alexandra é cantora, compositora, percussionista e diretora musical soteropolitana. Sua memória musical afro-baiana e nordestina se manifesta em obras que transitam pelo Soul e Jazz.

Omin: Cantor e compositor nascido e criado no bairro da Federação, Omin traz uma discografia versátil, com gêneros musicais variados que refletem uma jornada de conscientização e empoderamento.

Osvaldo Bola: Natural de Alagoinhas, no agreste baiano, Osvaldo acredita que a arte deve ser um reflexo da capacidade de resistir, criar e se reinventar. Homem negro, compositor, músico, artista plástico e arquiteto de formação, ele utiliza suas criações para dialogar sobre questões profundas da sociedade.

Suplentes – Os três artistas selecionados estão seguidos por mais três artistas suplentes: a dupla Suzi Jardim e Be Guimarães (Santo Amaro), Ayrá Soares (Salvador) e Biel Gomez (Salvador). Mesmo com origens e motivações pessoais diferentes, todos os seis artistas têm em comum o desejo de ganhar visibilidade para sua arte e fazer dela um instrumento de expressão, identidade e resistência.

Suzi Jardim e Be Guimarães: Ela de Diadema-SP, atriz da voz potente, dos pífanos e flautas. Ele de Niterói-RJ, da produção musical, da guitarrada e do trompete. No formato duo, eles, que se conheceram no Recôncavo Baiano, conseguem mesclar elementos da cultura popular sobre camadas eletrônicas, samples, flautas e guitarra, com traços de samba, cumbia, pagodão baiano, forró eletrônico e muito mais.

Ayrá Soares: Nascida no bairro da Liberdade, periferia de Salvador, a cantora, compositora, advogada e ativista baiana apresenta ao público um trabalho autoral que pulsa a alma da cidade, resgatando a sua ancestralidade e celebrando a cultura negra e as diversas facetas da mulher baiana.

Biel Gomez: Impulsionado por uma visão que expande os horizontes do rap e reconhecido pelo público underground do rap soteropolitano, Biel soma mais de cinco anos de apresentações memoráveis no Carnaval de Salvador, onde contagia multidões no bloco Nova Saga.

Impacto social e democratização do acesso à tecnologia
Com a proposta de democratizar o acesso à tecnologia de realidade virtual, uma das principais entregas do projeto será a realização de sessões de escuta e fruição das obras em escolas públicas. A iniciativa busca proporcionar aos jovens da rede pública a oportunidade de vivenciar experiências imersivas, que geralmente possuem alto custo e são limitadas a contextos privados.

As produções audiovisuais serão lançadas em abril de 2025. Para garantir uma atmosfera imersiva coerente com o universo musical de cada artista, a equipe criativa manterá um constante diálogo com os participantes selecionados.

Segundo Moisés Victório Castillo, idealizador do projeto, o foco inicial é a música, mas há planos de expansão para integrar outras expressões artísticas, como dança, literatura, teatro e cinema. “A ideia é plantar a semente do novo e do que o mercado tem proposto, com tecnologias que estão se aperfeiçoando há muito tempo”, comenta.

Sobre o projeto
O “Oroboro – Circuito Imersivo” é uma realização da Bogum Ambiente Criativo, em parceria com a Multi Planejamento Cultural e Literaturista. Foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal.

A combinação de tecnologia, arte e impacto social faz do “Oroboro – Circuito Imersivo” uma iniciativa pioneira que conecta a tradição musical baiana às inovações tecnológicas, projetando os artistas locais para novas dimensões de experiência sensorial.