Se você acompanha a crescente cultura dos cafés especiais, certamente já se deparou com o selo “100% arábica” nas embalagens. A expressão costuma remeter a qualidade, pureza, menor teor de cafeína e maior complexidade sensorial. Mas, afinal, o que isso realmente significa na xícara? Existem outros tipos de café?
Para esclarecer essas dúvidas, o Catado conversou com a especialista em cafés Brenda Matos, que explica: “quando falamos em ‘tipos’ de café, estamos nos referindo às espécies da planta”.
“O café 100% arábica é produzido exclusivamente com grãos da espécie Coffea arabica. Isso significa que não há mistura com outras espécies, como o robusta, conhecido no Brasil como conilon. A bebida tende a apresentar um perfil mais delicado e complexo”, afirma.
Segundo Brenda, o arábica é geralmente cultivado em altitudes mais elevadas e exige maior cuidado na colheita. Esses fatores contribuem para sabores mais suaves, com doçura natural e acidez equilibrada. “Além disso, o arábica possui menor concentração de cafeína, o que permite que os sabores apareçam com mais clareza”, destaca.
Por isso, o selo “100% arábica” costuma ser associado a cafés especiais e gourmets, funcionando como um indicativo de pureza da espécie e de uma experiência sensorial mais refinada.

Brenda Matos, especialista em cafés. | Foto: Arivaldo Publio
Arábica x Conilon: o que muda no paladar?
O café é a segunda bebida mais consumida no mundo e, neste cenário global, o Coffea arabica é reconhecido pela qualidade sensorial e representa grande parte do consumo de cafés especiais.
Já o Coffea canephora (robusta ou conilon) é amplamente utilizado em blends comerciais, cafés tradicionais e solúveis. “O conilon tem maior produtividade, é mais resistente e apresenta teor de cafeína mais alto”, explica a especialista.
Na prática, a principal diferença aparece no paladar.
“Os cafés arábica, quando bem trabalhados, costumam resultar em uma bebida mais doce, aromática e complexa. Podem apresentar notas frutadas, achocolatadas, caramelizadas ou de castanhas, além de menor amargor e corpo mais delicado”, diz Brenda.
O conilon, por sua vez, tende a oferecer sabor mais intenso e direto, com amargor mais presente, corpo mais encorpado e notas que lembram cacau amargo, madeira ou nuances terrosas. “O maior teor de cafeína também contribui para uma sensação de força mais acentuada na bebida”, destaca.
É justamente por isso que muitos cafés disponíveis no mercado combinam as duas espécies. “O arábica contribui com aroma e complexidade, enquanto o conilon adiciona corpo, intensidade e melhor custo. O resultado é um perfil equilibrado para diferentes públicos”, resume Brenda.

Brenda lidera iniciativas como o Festival Baiano de Cafés, o Bahia Coffee Experience e o SSA Coffee Session. | Foto: Arivaldo Publio
Brenda Matos é baiana de Itabuna, fotógrafa de alimentos, estrategista digital e especialista em cafés. Fundadora da Xodó Cafés Especiais, integra a nova geração de profissionais que articulam cultura, território e consumo consciente no setor cafeeiro.
