Com o poema “os argonautas da rua”, o poeta e jornalista baiano Nilson Galvão participa da coletânea SARS-CoV-2 (La vida em tempos de pandemia), edição transnacional lançada simultaneamente no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos pelas editoras Vento Norte Cartonero, Eva Cartonera e El Nopal Cartonero, que acaba de ser rebatizada para Aquifer Cartonera.

Foto: Divulgação

Para quem ainda não ouviu falar desta nova tendência, as editoras cartoneras atuam à margem do mercado editorial, com tiragens reduzidas e livros costurados à mão, sempre utilizando capas em cartón, papelão em espanhol. “Me encantam o caráter contracultural, ecológico, inclusivo e intrinsecamente humanista desta novíssima fronteira do livro”, afirma Nílson Galvão. Ele lembra que seu livro mais recente, “#nibrotas”, de 2020, foi feito assim, pela Licuri Livros Artesanais, editora criada pelo também jornalista Marcus Gusmão.

Foto: Divulgação

Parceria

Os registros sobre a vida na pandemia variam, incluindo relatos em primeira pessoa, análises, poemas, ilustrações. A coletânea reúne autores do Brasil, da Venezuela, do Chile, da Argentina, dos Estados Unidos, da Nova Zelândia , da Rússia, da Espanha, do Paraguai, da Itália, do México e da Colômbia. Os perfis também variam, reunindo presidiários, poetas, professores, historiador, antropóloga e sexóloga.

Foto: Divulgação

A parceria entre as três editoras para lançar a coletânea é fruto da “Confederación Cartonera”, que começou como uma brincadeira entre pessoas de diferentes lugares envolvidas com livros cartoneros, reunidas por vídeo para conversar sobre o tema.

Fragilidade humana

“Somos pessoas de todas as partes (re) descobrindo a velha fragilidade humana e respondendo a ela como sabemos. É assim com os autores deste livro e também com todos os bilhões de seres humanos à mercê do flagelo”, afirma Nílson Galvão, que já lançou os livros “Caixa Preta” (2009) e “Ocidente” (2013), pela P55 Edições, “o espiritismo segundo o google street view” (2018), pela Editora Mondrongo, e, pela Licuri Livros Artesanais, “versos búdicos” (2019) e “#nibrotas”.

Foto: Divulgação

O poema “os argonautas da rua”, explica, foi escrito sob encomenda do editor Gaudêncio Gaudêncio, da gaúcha Vento Norte Cartonero, no início da pandemia. “O poema tomou forma durante o primeiro tranca-ruas aqui em Salvador, quando morria muito menos gente que hoje mas havia a novidade extrema de uma ameaça inédita em nossas vidas”, conta o autor. Em 2020, “os argonautas da rua” foi publicado pelo jornal A Tarde, em uma matéria assinada pelo jornalista Gilson Jorge, que falava de poetas e suas reações à pandemia. A edição trouxe ainda poemas de Clarissa Macedo, Lívia Natália e Ruy Espinheira Filho.